Infraestrutura de recarga cresce com as vendas de carros elétricos e eletrificados.
É impossível escrever sobre o universo dos cegonheiros sem observar o que está acontecendo no mercado automotivo. Atualmente, cerca de 20% dos emplacamentos de automóveis e comerciais leves vendidos no país são de modelos eletrificados (híbridos e 100% elétricos) — o que equivale a um veículo eletrificado para cada quatro movidos exclusivamente a combustão.
A relação apresentada acima pode até sugerir um certo desequilíbrio difícil de ser revertido, mas o ideal é observar a evolução do quadro como um todo. Em em janeiro de 2012, no início da série histórica acompanhada pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), foram vendidos apenas nove veículos leves eletrificados no país. O mês de dezembro daquele ano fechou com 16 vendas, somando uma frota de 117 unidades no período.
De janeiro de 2012 a setembro de 2026, as vendas acumuladas de eletrificados ultrapassaram a marca de um milhão de unidades (1.003.310) — o que significa que, em pouco mais de uma década e meia, esses modelos conquistaram uma fatia expressiva do mercado nacional. No mês de agosto, a participação desses veículos atingiu 19,8%, com a venda de 53.126 unidades, totalizando 381.609 emplacamentos no acumulado do ano até então.
Carga rápida
Para tanto carro, é preciso uma infraestrutura de recarga compatível. Segundo levantamento da ABVE, o Brasil conta com 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga. Dos pontos existentes no território nacional, 61,8% (18.469) oferecem recarga lenta (AC) e 38,2% (11.397) são de recarga rápida em corrente contínua (DC).
São 4.437 novos pontos em relação ao levantamento anterior, de junho de 2026 (25.429), representando um avanço de 17,4% no trimestre. Na comparação com agosto de 2025 (16.880), o crescimento é de 76,9%, com 12.986 novos pontos em 12 meses. A participação da carga rápida mais que dobrou no período, saltando de 16,4% em fevereiro de 2025 para os atuais 38,2%.
Recarga lenta
A recarga lenta cresceu 41,8% em 12 meses — passando de 13.025 para 18.469 pontos. O carregador AC, como é chamado, integra a infraestrutura de uso cotidiano em condomínios residenciais e comerciais, escritórios, estacionamentos de longa permanência e frotas.
Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE, explica:
“Quase 2 mil municípios brasileiros já têm onde carregar um carro elétrico, e mais de mil deles já têm carga rápida. A pergunta do consumidor deixou de ser se existe carregador no país e passou a ser se existe carregador no caminho que ele faz.”
E conclui:
“Isso só foi possível porque o Brasil resolveu o problema do equipamento: o custo caiu, a tecnologia amadureceu e o operador aprendeu a instalar. O gargalo agora é anterior ao carregador. Está no prazo e nas condições de conexão de uma nova carga à rede. A consulta pública que a ANEEL abriu neste mês trata exatamente disso, e é a discussão mais importante do setor até o fim do ano.”
Composição da frota de veículos elétricos plug-in:
- 49% (313.140 veículos): 100% elétricos (BEV), que dependem totalmente da infraestrutura de recarga.
- 51% (325.993 veículos): híbridos plug-in (PHEV), que possuem dependência parcial da rede, pois também operam com motor a combustão.
Com informações da ABVE.
Foto de Stefan Schweihofer, Pixabay
